Um ex-membro de gangue pastoreia a “Igreja do hip hop”
Troy Evans é o pastor da igreja Edge Urban Fellowship, na cidade de Grand
Rapids, Michigan, em um bairro conhecido pela prostituição.
Dentro do que parece
ser um edifício de escritórios abandonado estão paredes cobertas por pinturas
estilo grafite. Há pessoas tatuadas, usando boné e calças jeans. Três homens na
casa dos 20 anos de idade seguram microfones e preparam-se para fazer alguns
passos de dança elaborados. Pode parecer um show de hip hop, mas é uma igreja. A
“igreja do hip hop”.
Enquanto Evans prega para cerca de 100 pessoas em um sábado, ele explica que
não tem formação no seminário e abandonou a escola no 7ª ano. Ao invés dos
tradicionais cânticos, ouve-se rap. Passagens da Bíblia são comparadas com a vida
urbana numa metrópole no século 21. Sua meta é chegar aos jovens que não têm
famílias ou que estão se juntando a gangues.
Evans sabe exatamente o que é isso. Aos 16 anos já era o líder de uma das
dezenas de gangues da área. Ele diz que a gangue o ajudou a sentir que era parte
de algo maior.
“O que eu vi foi um grupo de pessoas que realmente se importavam umas com as
outras”, explica. “O que eu vi foi que não havia homens da nossa comunidade, nem
de fora dela ou da igreja que se preocupasse com o que estávamos fazendo.
Somente um homem se aproximou de nós. Acontece que ele era o líder da
organização [gangue]“.
Emmett Price, professor de música e de Estudos Africano-Americano na
Universidade Northeastern, em Boston, diz que esse tipo de igreja está crescendo
nos EUA e que elas apelam para essa geração em um outro nível. “A cultura
hip-hop surgiu dos gemidos e dos gritos dos jovens que se sentem isolados e
marginalizados pela sociedade”, explica Price.
Agora que Evans, que fez parte daquela geração, deixou a vida de gangue para
trás, está alcançando pessoas que não tinham uma perspectiva de futuro.
“Nossa idéia de igreja, de forma ampla, é nos tornamos pais substitutos”,
diz. Um de seus filhos substitutos é Steven Malcolm, que está no palco cantando
uma música que ele passou horas escrevendo e produzindo. Malcolm diz Evans
desempenhou um papel fundamental ao compartilhar sua história e passar tempo com
os moradores do bairro.
“A única coisa que eu e os cinco outros caras [com que eu ando]… temos em
comum é que nenhum de nós tem pai em casa. Eles estão presos ou mortos, e Troy
realmente entrou em cena para ser como um”.
Evans diz que liderar os fiéis de uma igreja não é muito diferente de ser
líder dos membros de uma gangue. “A maneira como você fala com as pessoas é a
mesma, doutrinar alguém é do mesmo jeito e passar ideias ou teologia é a mesma
coisa”, assevera. Para ele, tanto uma igreja quanto uma gangue podem
proporcionar uma sensação de segurança, de comunidade e de família. Seu
objetivo, porém, é fazer com que mais moradores entrem para a igreja do que para
a gangue.
Traduzido de NPR.
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