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Noticia: Depois do Twitter, Turquia bloqueia acesso ao YouTube

Marcio Roberto Ramos | 28.3.14 | 0 comentários

Blog mroberto. O governo turco ordenou nesta quinta-feira (27) o bloqueio do site YouTube, uma semana depois de ter feito a mesma coisa com o Twitter, depois da difusão de nova gravações piratas que questionam o regime, informou a imprensa turca.


A decisão referente ao YouTube foi comunicada aos servidores de internet e as operadoras turcas, informou o jornal Hurriyet em seu site.
Na véspera, a justiça turca ordenou ao governo o fim do bloqueio do Twitter, motivo de uma enorme polêmica a poucos dias das eleições municipais de domingo, que parecem cada vez mais complicadas para o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan.
Um tribunal administrativo de Ancara, ao qual a oposição parlamentar e várias organizações não governamentais apresentaram recursos, considerou que a medida imposta pelo governo é 'contrária aos princípios do Estado de direito' e ordenou à Autoridade Turca de Telecomunicações TIB) o fim do bloqueio.
O governo anunciou que iria acatar a decisão judicial.
Mulher usa laptop em praça turca tentando acessar redes sociais bloqueadas pelo governo (Foto: AFP)
Mulher usa laptop em praça turca tentando
acessar redes sociais bloqueadas pelo governo
(Foto: AFP)
Redes sociais
Desde quinta-feira da semana passada, a TIB bloqueava o acesso à rede social, acusada pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan de propagar as acusações de corrupção contra o governo.

Nos últimos dias, Erdogan tentou justificar a medida e denunciou 'mentiras' e 'ataques contra a segurança' do país. "O Twitter deve respeitar a lei turca", disse.
'Não somos uma república das bananas', repetiu em vários comícios. Na ocasião, o primeiro-ministro ameaçou fazer o mesmo com o YouTube e o Facebook.
O principal partido opositor, o Partido Republicano do Povo (CHP), comemorou a decisão.
'É impossível deixar que um regime totalitário silencie a tecnologia', disse um dos vice-presidentes do CHP, Mrehan Halici. Os 12 milhões de internautas turcos conseguiram em sua maioria burlar o bloqueio da rede social. A decisão, no entanto, provocou uma avalanche de críticas à 'censura' imposta pelo governo islamita moderado, no poder desde 2002.
Em um clima eleitoral tenso, a oposição acusou Erdogan de atuar como um 'ditador' e de querer impedir o avanço das investigações de corrupção que afetam várias pessoas ligadas ao chefe de Governo.
Negociação com UE
O presidente turco Abdullah Gül, utilizador assíduo das redes sociais, criticou a medida. 'É uma situação desagradável para um país desenvolvido como a Turquia, um personagem regional de peso que está negociando com a União Europeia', disse o presidente.

Muitos países criticaram a decisão do governo.
O governo turco justificou o bloqueio total do Twitter com a impossibilidade de conseguir, apesar de 'centenas' de decisões da justiça, que vários sites deixassem de divulgar trechos de conversas telefônicas gravadas ilegalmente que afetam Erdogan, aliados e ministros.
Nos últimos meses, o governo de Erdogan foi abalado por um vasto escândalo político-financeiro, que ele atribui a um rival político, o pregador muçulmano Fethullah Gülen, que mora nos Estados Unidos. O primeiro-ministro respondeu com uma série de punições na polícia e na justiça, suspeitas de infiltração de 'gulenistas', assim como com a provação de uma polêmica lei sobre o controle da internet.
Fonte: G1

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